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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O EQUÍVOCO DO NOME MARANHÃO DO SUL

Marco Antônio Gehlen

Doutorando em Comunicação (PUC-RS), mestre em Agronegócios (UFMS), pós-graduado em Comunicação Empresarial e graduado em Jornalismo. Desde 2009, é professor e pesquisador da UFMA, em Imperatriz.

Um dos propósitos de divisão territorial do Maranhão, hoje muito defendida no centro-sul do Estado, provavelmente seja a busca pelo reconhecimento das identidades regionais, ou seja, a distinção entre o perfil cultural e produtivo das porções norte e sul. Contudo, sem adentrar em outros argumentos divisionistas ou em discussões sobre benefícios e malefícios de tal separação, tenho defendido, entre amigos, que seria equivocada a adoção de “Maranhão do Sul” como nome do novo estado brasileiro fruto de eventual divisão territorial do Maranhão.

A título de contextualização é preciso lembrar das duas últimas divisões de unidades federativas ocorridas no Brasil e suas consequências: Tocantins desmembrado de Goiás (1988) e Mato Grosso do Sul desmembrado do Mato Grosso (1977). Além de citar, também, o caso do Rio Grande do Sul e do Rio Grande do Norte, que possuem nomenclaturas semelhantes e trataremos mais adiante.

Morei durante 25 anos em Mato Grosso do Sul antes de chegar, em 2009, ao Maranhão. Vivenciei, portanto, quase toda a trajetória do novo estado recém-dividido do então Mato Grosso e que, depois de avançar autonomamente em seu próprio rumo de desenvolvimento, pôs-se a discutir a falta de identidade que o nome Mato Grosso do Sul (MS) detinha nacionalmente, sendo incontáveis vezes e permanentemente confundido com o vizinho Mato Grosso (MT).

Hoje, em Mato Grosso do Sul (mesmo depois de 37 anos da separação do Mato Grosso) é motivo de irritação aos sul-mato-grossenses quando confundem os estados ou referem-se a um tratando do outro. E eu partilho tal irritação não por menosprezar MT em detrimento do MS ou o contrário, mas por me deparar com tamanha ignorância geográfica.

Há alguns anos, em Mato Grosso do Sul, foram criadas, inclusive, campanhas publicitárias na tentativa de sensibilizar o governo sul-mato-grossense a promover uma mudança do nome do Estado em função dos prejuízos que a confusão com o vizinho provoca. Prejuízos estes de ordem identitária, de imagem e de sensação de pertencimento da população local, além de perdas econômico-turísticas, uma vez que o Pantanal, por exemplo, está localizado nos dois Estados, mas há tremenda confusão sobre onde desembarcar quando um turista adquire, em outros estados brasileiros, um pacote de viagens para um destino pantaneiro. Um movimento específico em Mato Grosso do Sul chegou sugerir que o Estado alterasse seu nome para Estado do Pantanal, como forma de se diferenciar do vizinho ao norte e, ainda, atrair turistas ao seu grande mote turístico, o Pantanal.

No entanto, para efeito dessa discussão pontual pouco importa o ônus e o bônus de tais desmembramentos, todavia, continuam o nome Mato Grosso do Sul e a confusão com o Mato Grosso. Até mesmo a consagrada mídia nacional, costumeiramente, atrapalha-se ao informar se a capital de MS é Cuiabá ou Campo Grande.

No caso do Maranhão, o sucesso de eventual movimento divisionista tem em si a grande oportunidade de não incorrer em equívoco semelhante. Permanecer com o nome “Maranhão” e apenas acrescentar “do Sul” significará uma divisão geopolítica concreta, mas continuaremos a ser, aos olhos do restante do Brasil, o Maranhão. Não haverá diferença, nem campanha publicitária, capaz de reeducar a população brasileira a conceber que, a partir de determinado momento, tratar-se-á de dois estados.

Um outro bom exemplo é o caso do vizinho Tocantins, localizado ao sul do Maranhão, que foi desmembrado há apenas 26 anos e já não sofre com confusões em relação ao estado de Goiás, pois se separou adotando nova identidade, um nome novo, capaz de promover a distinção nacional entre o que é hoje e o que foi no passado.

Há quem lembre, ainda, do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul que possuem nomes semelhantes e pouco são confundidos. No entanto, neste caso, a distância cultural e geográfica, bem como o fato de nunca terem pertencido um ao outro, construíram no imaginário coletivo nacional a noção de que se trata de duas coisas completamente diferentes. E ambos se favorecem com a “não confusão”.

Por fim, no caso do Maranhão, temos nós, personagens dessa história em movimento, o dever e a oportunidade de refletir, previamente, sobre os problemas que podemos evitar no futuro, caso consigamos, antes de dividir o Estado, pensar em um nome digno de representar adequadamente esta nossa terra.

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